7 de setembro de 2009

As outras Brigantias (III)




C.1.- SAM JOÁM DE CALHOVRE / CALLOBRE (freguesia com 225 hab.- Minho, Crunha) ˂ Caliobre

Som ao menos quatro as freguesias e lugares chamados Calhovre / Callobre, cum primeiro elemento que Prósper (2002: 377) considera que é o mesmo pressente na verba calhau 'Pedazo grande de piedra ó piedra bastante grande pero que se pueda mover facilmente y aun arrojar. En portugues se pronuncia igualmente.' (DdD: Rodríguez 1855), do céltico *caliavo, do PIE *kal- 'duro' (IEW: 523-24). Tamém deve ter relaçom co topónimo antigo Caladunum, na Gallaecia Bracarense.

Para este freguesia de Minho conheço ao menos estas citas medievais - repare-se na inesperada grafia Cayovre no documento de Vilar de Donas, que parece indicar que o notário da Ulhoa sentiu algo estranho no nome de Domingo Eanes:

'sub aula Sancti Ioannis de Callobre medio de uno cassale, sub aula Sancti Georgii de Torres tres cassales, uno medio, alio integre et alio mediato' (CODOLGA: Monfero, 1088)

'et im Prucius (…) et nostra porcione integra de Sancto Iohanne de Caliovre;' (CODOLGA: Caaveiro 1114)

'Domingo Eanes de Cayoure e morador en Betanços' (Vilar de Donas 1339)

'Dada et outorgada enna nosa Granna de sante Ysidino da fiiglesia de Seoane de Calobre seys dias do mes de março anno Domini milesimo quatuorcentesimo bicesimo tercio.' (TMILG: Mondonhedo 1423)

É um topónimo frequente, do que presumo um significado comum para a cultura dos nossos devanceiros ('Castro Duro = Castro Forte'?). Tém um provável cognato em -brigā na antiga sede episcopal de Caliabria, no norte da Lusitánia.




C.2.- CALHOVRE / CALLOBRE (107 hab.- Oça dos Rios, Crunha) ˂ Caliobre

Temos algumha documentaçom medieval referente a este lugar de Oça dos Rios:

'in Nemitos Generozo, Uiuenti, Caliobre, Uendabre, Pontelia, Teoderici, Heletes cognomento Limenioni, Crendes, uillare Porcimilio' (Sobrado 887)

'et alias archas et decorias que diuident inter Lemenioni et ipsas Parietes et Caliobre. et concludent per fontem bonam in directo usque ad ipsam archam quem primiter inceperunt inter Codais et Parietes.' (Sobrado 942)

'in Dei nomine. ego Iohannes Calioure, filius Martini Ouequit et Guntrode Froyle de Calioure, uobis fratribus Sancte Marie Superaddi dono per cartam donationis et testationis omnem hereditatem patris et matris me, quam habeo in Calioure intus et foris cum omnibus pertinentiis suis, quantum pertinet ad uocem patris et matris mee, quia ego solus remansi ex omnibus filiis eius et totam hereditatem quam habeo ex parte patris mei in Parrega in uilla que uocatur Osendi de Sancta Cruce.' (Sobrado 1204)




C.3.- SAM MARTINHO DE CALHOVRE /CALLOBRE (482 hab.- Estrada, Ponte Vedra) ˂ Caliobre




C.4.- CALHOVRE / CALLOBRE (sd.- Ortigueira, Crunha) ˂ Caliobre




C.5.- CALUBRIGA* (extinto, por Valdeorra, Ourense)

Conhecemos este topónimos por duas inscriçons latinas, umha achada em Valdeorras e a outra em Celorico de Basto, em Portugal. Pola primeira delas sabemos que este lugar pertencia aos Gigurros, de cujo nome vem o actual Valdeorras ( ˂ Valle d'Orras ˂ Valle d'Orres ˂ Valle de Iorres ˂ Valle de Gigurris):

L(UCIO) POMPEIO L(UCI) F(ILIO) / POM(PTINA) REBURRO FABRO / GIGURRO CALUBRIGEN(SI) / PROBATO IN COH(ORTE) VIII PR(AETORIA) / BENEFICIARIO TRIBUNI / TESSERARIO IN |(CENTURIA) / OPTIONI IN |(CENTURIA) / SIGNIFERO IN |(CENTURIA) / FISCI CURATORI / CORN(ICULARIO) TRIB(UNI) / EVOC(ATO) AUG(USTI) / L(UCIUS)FLAVIUS FLACCINUS / H(ERES) EX T(ESTAMENTO) (Cigarrosa; HEp-02, 00583 )

ARTIFICES / CALUBRIGENS/ES ET ABIANIEN(SES) / F(ACIENDUM) C(URAVERUNT) (Refojos de Basto; HEp-10, 00717)

O segundo elemento é -brigā, o esperável na zona; o primeiro poderia ser o já visto PIE *kal- 'duro' (IEW: 523-24). Especulando: reconheço que nom sei se será factível ver em calu- um tema baseado numha das raízes *kel- do proto-indo-europeu, tal vez *kel- 'alçar-se' (IEW: 544).




C.6.- CANÇOVRE / CANZOBRE (60 hab.- Arteijo, Crunha) ˂ Carantiobri

Prósper (2002: 377) por desconhecimento da seguinte infomaçom diacrónica referente ao nosso topónimo, interpreta a primeira parte del como a preposiçom *kmti- 'com'. Nom obstante, o seguinte amossa ser o étimo de Cançovre ˂ Caançovre ˂ Caranzobre, a forma céltica *Carantiobri, de *kar-ant- 'amado; amigo' (IEW: 515). Begoa é Brégua, em Culheredo, limítrofe com Cançovre:

'Jtem en Caançoure media de hũa seruiçaya et en Begoa meadade doutra (…) Ora [t]ẽeno os Boquetes et téuoo Martín Ssánchez de Griloure (…) de Gatẽte que he na frijgesja de Santo André de Tooure et tódoslos outros herdamentos, cassas et chãtados que forõ' (TMILG: Santiago 1390)

'Yten, outro tarreo da pereyra d'Eldara Peres que se departe do tarreo de Pedro Fernandes e ten fondo do tarreo de Joaquin de Caranzobre (…) Yten, o tarreo da pedra d'Eldara Peres que fas cabo do tarreo de Maria de Ben e do tarreo de Juan de Caranzobre' (TMILG: Crunha 1399)
A evoluçom com perda de r intervocálico é mui similar à que se produz na evoluçom de Braga ˂ Bragaa ˂ Bacara, com dissimilaçom entre vibrantes. Hai máis outros topónimo similares na Galiza, sem contexto para a dissimilaçom, para os que nom se da esta perda de r:

Carantonha / Carantoña (87 hab.- Lousame, Crunha) ˂ 'ennas villas de Chave et Carantono, et en toda a frigresia de San Pedro de Tallares' (TMILG: Noia 1342) ˂ 'hereditate nostra propria quam habemus de suscepcione auorum nostrorum et jacet in loco nominato Beesar et sunt margines tres sub aula Sancti Petri in uilla Carantonio' (TTO 1151)
Carantonha / Carantoña (21 hab.- Porto do Som, Crunha)
Sam Martinho de Carantonha / Carantoña (720 hab.- Vimianço, Crunha)
Sam Juliám de Carantonha / Carantoña (166 hab.- Minho, Crunha) ˂ 'in villa nuncupata Sala, concurrencia ad ecclesiam Sancti Iuliani de Carantonia' (Caaveiro 1154)
Carantos (54 hab.- Coristanco, Crunha)

Resumidamente, Cançovre deve ser 'Castro Amado' ou 'Castro Bo' ou 'Castro dos Amigos'. Som moitos os topónimos franceses de similar étimo: Carantec, Carentan, Charenton...




C.7.- CASTROVE (monte perto de Ponte Vedra) ˂ Castovre 'Castro/Monte Destacado'

Monte duns 600 metros que delimita a ria de Pontevedra ao norte e defende o val do Salnês. Ainda que foneticamente asemelha ser um híbrido latino-céltico, *Castrobre, a informaçom diacrónica nom o confirma, remetendo a umha forma antiga Castovre. Prósper (2002: 334 e 376) sugere relaçom co protoindoeropeu *kns-to- ˃ kansto- ˃ kasto- 'notorio, destacado', de onde latim censeō 'valorar, estimar', presente na antroponímia celta da Gália no nome Casticus. O monte é visível desde dúzias de quilómetros à redonda:

'in territorio salinensis ad radicem alpe Castovre' (CODOLGA: Santiago 1025)

'et est in territorio salinensis ad radicem alpe Castovre' (CODOLGA: Santiago s. XI)

'illud monasterio de Sancta Maria de Armentaria et Guandiis et Castrum malum, ex illa Arinada del Conde usque ad Genguvi et de Pines usque ad Castrum Sancti Cipriani et de illud Portum de Barrantes usque ad illud portum de Serem et ex inde usque ad illam fontem de Castrove.' (CODOLGA: Armenteira 1151)

'cacumen montis de Custodiis et inde per cacumen montis de Castroue et inde quomodo ferit per saltum de Olidi, et inde per montem de Bazar, et inde per Sanctum Iohannem de Ramo, et inde quomodo diuidit de terra de illa Fraga, et inde quomodo intercluditur per flumen Lerce et ferit ibi.' (TA 1169)




C.8.- SAM SALVADOR DE CECEVRE / CECEBRE (freguesia com 1322 hab.- Cambre, Crunha) ˂ Zercebre

A sus primeira mençom é Zercebre, o que nos remete a um étimo relacionado co vento Cérceo ˂ latim CERCIUM, verba de orige gala ou / e hispana; ou co latim CIRCULUM, do PIE *(s)ker- 'virar, dobrar' (IEW: 935-938), raiz que da orige a numesosas palavras celtas. Poderíamos estar ante um 'Castro / Monte do Curro', em referência as próprias fortificaçons do castro. Com respeito ao possível duplo valor de -bre co valor e castro ou monte, nom podo senom recalcar que na documentaçom medieval galega, castro tanto significa monte como lugar habitado no monte, fortificado ou nom.

'in Nemitos, eclesia Sancti Saluatoris et uilla Zercebre quod michi concessit plus pater domnus Sauaricus episcopus' (Celanova 942)

'in ualle Nemitos, uilla de Adois cum adiacentiis suis, uillar Spelunce, uilla Barbeito, uilla Uarzena cum adiunctionibus suis, uilla Melangos cum adiunctionibus suis, uilla Illobre cum pumaribus de Ponteliar, uilla Calambre cum adiacentiis suis et cum sua creatione, uilla Zezebri.' (Sobrado 971)

'Spelunca, uillare Riquilani, uillare de domno Suario, Pontelias, ecclesia de Calambre cum adiacentiis suis, uilla Odroci, uilla Prauio, uilla Cicebre, uilla de Noz, uilla de Oix cum adiacenciis suis. in terra de Faro, Sancta Eolalia de Cariolo et ecclesia sancta Maria, et uilla de Orrio, et ecclesia de Ozia, uilla Basobre, uilla de Azobre.' (Sobrado 1001c)

'et mediam ecclesiam de Sarantes et uilla de Ceceure' (Sobrado 1165)

A perda de r no grupo -rc- nom é frequente, mais neste contexto, -rce- é foneticamente similar à -rs-, que evolue regularmente em -ss-: ursum ˃ osso, Santum Thirsum ˃ Santisso, persicum ˃ pêssego ˃ pêxego.

Por último, conhecemos por umha inscriçom de Ourense um topónimo quase idêntico, LARI CIRCEIEBAECO PROENEITAEGO (Prósper 2002: 364), que supom um topónimo *krikyobris ou *kerkyobris.




C.9.- CEÇOVRE / CEZOBRE (s.d.- Agolada, Pontevedra) 'Castro do Bosque' (?)

'Item mando a o moesteyro de San Andre d'Orrea o meu cassal de Çezobre que he meu.' (TMILG : Osseira 1335)

Poderia ter a mesma orige que o anterior topónimo, ou ser máis bem a evoluçom dumha Caitiobris – houvo na nossa península umha Caetobriga na Lusitania, e Ptolomeo ainda recolhia outra Καιτοβριξ (Prósper 2002: 359) -, provavelmente de *kaito- 'bosque' (IEW: 521), com latinizaçom do ditongo /aj/ em /ae/, e posterior reduçom standard.

No último caso este topónimo seria um cognato de Setúbal, em Portugal, que era na antiguidade Caetobriga ˃ *Cetobria ˃ *Cetobra, e logo com interferência da língua árabe Setúbal.




C.10.- CILHOVRE / CILLOBRE (70 hab.- Culheredo, Crunha)

Um possível étimo pode ser *Kail-yo-bris 'Castro-auspicioso' ˃ *Cēliobre ˃ *Cėliobre ˃ *Ciliobre, com feche da vogal átona por inflexom da iode (Ferreiro: 50). O tema *kail- tem boa presença nas línguas indoeuropea, especialmente nas línguas célticas (IEW: 520):

galês coel 'pressagio', antigo bretom coel 'adivinho', antigo irlandês. cēl 'augúrio'.
Gótico hails, antigo alto alemám heil 'íntegro, saudável' (e 'Saúde!')

Outras opçons som *Keil-yo-bris 'Castro-companheiro' (antigo irlandês ceile, galês cilydd ˂ *Keil-iyo-s 'companheiro', IEW: 539-40). E *Koil-yo-bris 'Castro-¿Estreito?' (IEW: 610), idêntico ao nome autóctone de Castromao, Κοιλιοβριγα (Prósper 2002: 359), capital dos Coilernos.

Assi que se nom é um 'Castro Bo' será um 'Castro Pequeno', ou um 'Castro dos Companheiros'.




C.11.- CILHOVRE / CILLOBRE (39 hab.- Touro, Crunha)

Idem.




C.12.- COILOBRIGA (Castromau, Celanova, Ourense).

Topónimo citado por Ptolomeu como principal cidade dos coelernos; é topónimo em -brigā, como é comum entre os nomes de lugar da Gallaecia Bracarense e máis da Asturicense. O seu primeiro elemento deve ser o PIE *koil- 'delgado' (IEW: 610), senom é o *kailo- (IEW: 520) que origina algumhas palavras celtas como galês coel 'pressagio', antigo bretom coel 'adivinho', antigo irlandês. cēl 'augúrio'.




C.13.- CIOVRE / CIOBRE (s.d.- Narom, Crunha)

A informaçom que temos deste lugar é serôdia, sendo praticamente impossível ter certeza da consonante perdida entre i e o. Poderia ser /l/ ou /n/, ou /b/, /d/, /g/ ou /v/.

'hereditatem de Ciobre quae est in terra Trasanquis' (CODOLGA: Júvia 1162)

'hereditas de uilla Cornelli diuiditur per ubi se diuidet de Ciobre et quomodo se diuidit de ualle Malo et inde per Grandalem et inde ad Lamam Molinum.' (Sobrado 1173)

'in Trasanquos. et de monasterio de Narahon et de laycali quam de aecclesiastica totum meum directum. in sancti Mamete de Atenos portione meo integro et in uilla de Cioure meo portio integro, et in rrio Malo portio mea. et in terra de Ortigaria totas meas hereditates' (CODOLGA: Júvia 1188)




C.14.- COEVRE / COEBRE (16 hab.- Cessuras, Crunha) ˂ Colobre

Era Colobre em 935. Suponho umha historia evolutiva mediada por um episódio de dissimilaçom: Colobre ˃ *Colovre ˃ *Coovre ˃ Coevre.

'uillas que uocitant Coua cum adiacentiis suis, Uilores, Colobre, Preseto' (Sobrado 935)

Tal vez de *Kwolobris, do Pie *kwolo- 'roda, volta' (IEW: 639-40), que da o antigo irlandês cul 'carro, vagom' ˂ *kwolō. Teríamos assi um possível 'Castro da Roda'.



C.15.- +COOZOVRE (extinto, perto de Sam Miguel de Raris, Teo, Crunha)

'ecclesie sci. Michaelis de Raariz (...) predicte ecclesie de Raariz hereditatem quam habeo in casali de Coozoure' (CODOLGA: Santiago 1269)

As vocais idênticas em hiato revelam a perda segura dumha consonante, provavelmente /l/ ou /n/, sem descartar /d/, /b/ ou /v/.

Umha possibilidade razoável é fazer vir este topónimos dum hipotético *Konet-yo-brig-s: *Conetiobri ˃ *Coneçobre ˃ *Cõeçovre ˃ Cõõçovre (assimilaçom), que teria rematado num *Conçovre / *Coçovre / *Cosovre. Similar resultado teriamos partindo de *Kolet-yo-brig-s ou similar.



C.16.- COMBRE (31 hab.- Lourençá, Lugo)

De *Conobre ˃ *Cõovre ˃ Combre? Sem informaçom diacronica nom me atrevo a ir mais longe. Mesmo puidesse proceder dumha froma cômaro ˃ *cômare ˃ cômbre (cfr. Támara / Tamaris / Támare ˃ Tambre), e nom ter quaisquer relaçom cos outros topónimos tratados.

O lugar de Cobre, na Veiga, Astúrias, poder ter a mesma orige.




C.17.- CORTOVE / CORTOBE (51 hab.- Arçua, Crunha)

De *Korto-bris (Prósper 2002: 374), cum primeiro elemento conhecido tamém no celtiberico KorToniKum. A perda do /r/ teria-se dado por dissimilaçom: *cortobre ˃ cortobe.



Fora da Galiza temos a cidade de Coimbra, a Conimbriga antiga, cujo segundo elemento pode ser -brigā, ou seguindo a Búa e J. J. Moralejo (neste magnífico artículo Etimologia de Oimbra), teríamos o elemento PIE *mereg- 'borde, fronteira', que origina as formas galo brogi 'agro' ou galés e bretóm bro 'recinto, forte' (IEW: 738). Lamentavelmente, e ainda que o caso Ø poidesse ter dado *brig-, este nom está documentado.

A evoluçom deste topónimo está bem recolhida desde Conimbriga ˃ Conimbria ' item accepit in suburbio Conimbria, in Spillelle in uillare de Froila medietate' (Celanova 934) ˃ Colimbria, por dissimilaçom de nasais 'in arravalde de civitate Colimbria corte cum domos et intrinsecus (Celanova 950), até logo Coimbria e Coimbra.

Polo demais, PIE *merg- origina tamém o latim MARGINE ˃ galego marge, e o germánico MARCAN ˃ marcar.



Outra serie de topónimos duvidosos que poderiam conter *brig-, ou bem o anterior étimo *mrg-, som os frequentes Cambre galegos, que tém um cognato no asturiano lugar de Calambre, cuja forma coincide coa forma galega medieval.


  • Santa Maria de Cambre (3449 hab.- Cambre, Crunha) ˂ Calamber

'in Nemitos in ripa Mero, secus littore maris, uilla Calamber cum adiunctionibus suis;' (Sobrado 959)

'Adois ab omni integritate secundum eam obtinemus, Barua[c]to medio, Calamber integra secundum eam obtinemus;' (Sobrado 966)

'in ualle Nendos, uilla de Uarzina media, sicut et uos illa alia media cum suis uillaribus: Barbacto et Platanario; Adois ab omni integritate, uillare Spelunce integra, Calambre integra cum adiacentiis suis' (Sobrado 966)

'uilla Illobre cum pumaribus de Ponteliar, uilla Calambre cum adiacentiis suis et cum sua creatione, uilla Zezebri' (Sobrado 971)

'Spelunca, uillare Riquilani, uillare de domno Suario, Pontelias, ecclesia de Calambre cum adiacentiis suis, uilla Odroci, uilla Prauio, uilla Cicebre, uilla de Noz, uilla de Oix cum adiacenciis suis. in terra de Faro, Sancta Eolalia de Cariolo et ecclesia sancta Maria, et uilla de Orrio, et ecclesia de Ozia, uilla Basobre, uilla de Azobre.' (Sobrado 1001c)

'ecclesie Beate Marie Uirgine que est fundata in loco uocitatur Calambre' (CODOLGA: Santiago 1141)

'factum scriptum aput monasterium sancte Marie Calambre.' (Sobrado 1190)

'ste. Marie de Calambre' (Santiago 1199)

'et monasterio de Mosontio sls. XX. monasterio de Portoor sls. XX. sce. Marie de Caambre' (CODOLGA: Santiago 1283)

  • Cambre (65 hab.- Carvalho, Crunha)
  • Sam Martinho de Cambre (freguesia com 278 hab.- Malpica, Crunha)

Fora da Galiza temos

  • Calambre (Tápia, Astúrias)

A evoluçom das formas galegas passa pola perda do /l/ intervocálico e a posterior crase das vogais idênticas em hiato: Calambre ˃ Caambre ˃ Cambre.

Com respeito a sua orige e étimo:
  1. Se supomos que o segundo elemento do composto é *bri ˂ *brig-s, entom o primeiro, *calam-, deveria estar relacionado com outros topónimos prelatinos galegos como Caamanho ˂ *Calamanium, Caamouco ˂ Calamouquo... dum primeiro elemento em orige indo-europeu *kalamo- 'cana, colmo' conhecido por exemplo no galês calaf e no latim CALAMUS 'cana'. Mais 'Castro das Canas' ou 'Monte das Canas' som semanticamente pouco prováveis. Tamém, nom me explico por que temos o resultado evolutivo de Calámbre e nom de Calamóbre ou Calamióbre.
  2. Se assumimos que o segundo elemento do composto é derivado de *merg-, o primeiro deve ser *kal-, já visto, semánticamente interessante. Cambre seria um composto sinónimo de Calhovre 'Castro Forte' ou 'Castro Alto' em ambos casos. Mais surpreenderia a vogal de uniom /a/ em três topónimos no norte da Galiza.
  3. Pode tamém ser identificando o segundo formante *-bre como o PIE *awer- 'rio' (IEW: 78-81). Entom podemos partir dum interessante *Calamower (?) 'Rio das Canas', mais penso que o esperável é que a vogal de uniom /o/ assuma a tonicidade da palavra, de acordo com outros compostos, o que nom sucede.
A etimologia de Cambre ˂ Calambre / Calamber é para mim umha questiom plenamente aberta.


(prosseguirá)

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