18 de xaneiro de 2012

BRIGS E BRIGĀ (IV)


B.90.- RANHOVRE / RAÑOBRE (197 hab.- Osseiro, Arteijo, Crunha)
'noticia de hereditatibus quas habet Petrus Odoarii in Ponte, terciam partem integram de Sumessu, terciam integram de Ranoure, quartam integram de Manue.' (Sobrado 1202)
Se nom é assimilaçom temperá *βlaniobre > *βraniobre > Raniobre 'Castro (do) Cham', do que nom hai prova, será tal vez *Reginobris, de *regini- 'duro' (Matasovic s.v.), ou pode que dum derivado de *reg- 'rei, governar' (IEW: 854-57): *Reg(i)nobre > *Regnobre > Ranovre /raɲoβɾe/.
Prósper propom um primeiro elemento baseado em *rannā 'fronteira' < IE *rndh-nā, ou em *pras-na 'parte' > antigo irlandês e antigo galês rann (2002: 379); eu nada oponho, sempre que assuma a mediaçom dum sufixo com iode: *Rann-yo-bris.


B.91.- SANÇOVRE(?) / SANSOBRE (32 hab.- Vimianço, Vimianço, Crunha)
O grupo [ns] nom pode ser primário (por se reduzir geralmente em [s:] > [s]), polo que, seguindo a Prósper (2002: 379) considero que temos acô um provável *Sançovre, de *Sentiobris, do proto-céltico *sentu- 'senda' (cf Matasovic s.v.), de onde antigo irlandês sēt galês hynt bretom hent 'caminho, senda', ou melhor, de *sentiyo-, galês médio hennydd 'companheiro', bretom hantez côrnico hynsads 'vizinho' (IEW: 908; Matasovic. s.v. *sentu-) A abertura do /e/ átono em sílaba inicial em /a/ é frequente na evoluçom da língua popular galega (cf Ferreiro 1999: 52). Consequentemente, 'Castro do Caminho', ou 'Castro dos Companheiros' (ou 'dos Vizinhos'), nomes bons e generoso, a boa fé que si.


B.92.- SEIXAVRE / SEIXABRE (108 hab.- Mos, Ponte Vedra).
B.93.- XEIXAVRE / XEIXABRE (mato, Ortonho, Ames, Crunha)
Poderia vir tal vez de *Seisabris < *Segisa-bris, com palataliçazom de /s/ polo iode. Nesse caso, a *sego- 'forte' (Matasovic s.v.), co sufixo comparativo -is-: 'O castro máis forte'. Nom obstante, dado que os nossos Sísamo e Sésamo procedem provavelmente de *Segisamo-, a orige pode ser bem distinta.


B.94.- SEABRA (Zamora, Leom)
O nome da comarca leonesa da Seabra (leonês Senabria, castelám Sanabria) é bem conhecido de antigo, Seabria < Senabria < *Senabriga. Com respeito à etimologia do topónimo , 'Castro Velho' se do céltico *seno- 'velho' (Matasovic s.v; IEW: 907-908), mais cabem outras opçons (v. Prósper 2002: 341).
'ad Auriensem: Palla Auria, Vesugio, Bevalis, Teporos, Guereus, Pincia, Passavit, Verecanos, Senabria, Galabacias maiores.' (CODOLGA: Liber Fidei – Divisio Theudemiri 569)
'ad Auriensem. Palla auria. Vesugio. Bebalos. Teporos. Geviros. Pincia. Cassavio. Verecanos. Senabria' (CODOLGA: Lugo – Divisio Theudemiri 569)
'Veremundus Paez de Senabria' (CODOLGA: Lugo 929)
'ecclesias quae sunt in Bregantia pro illo rivulo quod dicitur Tuella, et discurrit usque dum intrat in Dorio contra Zamoram, ad partem Orientis, de Aliste et Sanabria, Tribes, Caunoso, Caldelas, Courele et Cairoga et Yurres ad integritatem ut illas obtinuistis de patri nostro divae memoriae dominus Ranimirus rex' (CODOLGA: Astorga 954)
'fundatus in territorio Senabriense subtus mons Sispiaco super maris lacum' (CODOLGA: Castanheira 1028)
'Sancti Iacobi de Requixo que est in Senabria' (CODOLGA: TB 1183)
'maiorinis Michele Iohannis de Seabria' (CODOLGA: Ourense 1223)
'Mendo de Seabre' (TMILG: Vida e Fala, 1443)
As gentes galego-falantes da 'Alta Sanabria' (concelhos de Hermisende, Porto, Lubiam e Pias) chamam xabreses às gentes da Sanabria, tradicionalmente de fala leonesa: Xiabreses < Seavreses < *Senabrienses.
Nom sei se hai quaisquer relaçom co nosso senra/seara/serna < senara ? '(monte) cavado / cultivado / roçado'.


B.95.- XABREGA (lugar e rio à beira do Sil, Sober, Lugo)
Antigo Portum de Senabreca (Moralejo nom semelha conhecer este topónimo, cf Moralejo 2010: 478); hoje, lugar e rio de Xabrega, á beira do Sil, em Sober, Lugo:
'ripas et saltos et piscarias fluminum, et ipsum portum de Senabreca ab integro' (CODOLGA: Ribas de Sil 921)
'ecclesiarum mearum Sancte Marie Bulmenti et Sancti Petri de Sanabrega' (Colecçom diplomática de St. Cristina de Ribas de Sil: 876)
'et saltibus et piscariis predicti fluvii Silis cum portu de Senabrega integre' (CODOLGA: Ribas de Sil 1214)
Máis tarde, no século 14, foi granja do mosteiro de Santa Cristina, tal e como se lê na colecçom diplomática, já o seu topónimo na forma Seabrega. Aparentemente, é um derivado adjectival em -kā sobre um lugar de nome Senabre; ou bem é um caso singular de preservaçom do /g/. A evoluçom mais provável é *Senabrica > Senabrega > *Seabrega > *Xabrega '(A do) Castro Velho'.
Moito interessante o post adicado a este lugar (no seu blogue) polo profesor Antón Rodicio.


B.96.- XIAVRE / XIABRE (monte nos concelhos de Caldas-Catoira-Vila Garcia, Pontevedra)
O monte Xiavre, de 640 metros, separa o val de Caldas das Terras de Arousa, sendo um importante ponto visual em toda a ria. Ainda que nom acho documentaçom medieval del, o seu nome é quase com total seguridade a forma local correspondente à Senabria zamorana: Senabri > Seavre > Xiavre.


B.97.- XABRE (mato, Moanha, Pontevedra)
Lugar nom habitado, em Domaio, Moanha. Provavelmente de Senabri.


B.98.- Santa Marinha de SILHOVRE / SILLOBRE (freguesia com 1197 hab.- Fene, Crunha)
Na idade média alternam formas com /e/ e /i/, provavelmente indicando um étimo *sil-, com /i/ breve, ou com /e/ breve é metafonia (latim meliore > galego melhor / milhor). Nom desboto o céltico *sīlo- 'semente, descendência' (Matasovic s.v.); a nível semántico é atraente o PIE *sel- 'vivenda, assentamento' (Oxford: 223), ainda nom tendo deixado restos nas línguas célticas:
'in Besaucos ecclesie sce. Eulalie in Caurio. scm. Uincentium in Carois. scm. Tirsum in Magobre. sca. Eulalia in Lubre. scm. Iulianum in Siliobre. scm. Iacobum iuxta Siliobre.' (CODOLGA: Santiago 830)
'facerem tibi textum scripture firmitatis sicut et facio de ecclesia de sancta Marina de Selioure, et est inter duos flumines Eume et Iuuia, subtus monte Budlio' (CODOLGA: Júvia 1044)
'una que est in territorio Bisaquis vocitant illa Saa, et iacet in valle de Sillovre discurrente ad aulam Sancti Iuliani, secus flumen Iuvie' (CODOLGA: Caaveiro 1102)
'in territorio Bisaquis, una servicialia integra, discurrente ad aulam Sancte Marine de Sillovre, secus flumen Iuvie, subtus monte Coto.' (CODOLGA: Caaveiro 1105)
'Froyla presbiter ecclesie sancti Iacobi de Baraliobre confirmo. Froyla presbiter ecclesie sancti Mametis de Laragia confirmo. Iohannes presbiter ecclesie sancte Marine de Seliobre confirmo. Ordonius presbiter ecclesie sancti Saluatoris de Seliobre confirmo' (Historia Compostelana 1110)
'et in terra Bisauquis in uilla de Silobre totum meum directum.' (CODOLGA: Júvia 1196)
'un agro que jaz sobrela egreja de Uilla Noua en Seloure a chantar de pereyros e de maceyras ou doutras aruores' (Documentos s XII-XIII 1259)
Houbo um lugar português de igual nome, ainda que na variante briga: 'meas ecclesias qui sunt fundatas sancto martino de Seliobria et sancta cristina' (PMH: 907)


B.99.- TALHOVRE / TALLOBRE (9 hab.- Ouviaño, Negueira de Munhiz, Lugo)
Supostamente de *Taliobris, onde o primeiro elemento lembra a um certo hidrónimo (rio Tálhara, em Lousame), tal vez de IE *(s)tel- 'deixar fluir' (IEW: 1018). Embora **, provavelmente provem de *tel- 'cham, plano' (IEW: 1061), donde o céltico *talu- 'fronte, parte alta da cabeça' (Matasovic s.v.; Delamarre s.v.), do que antigo irlandês talam 'A Terra', galês, córnico, bretom tal 'fronte'. Logo, Talhovre pode ser 'O Castro (do) Cham / O Castro da Fronte / O Castro de Arriba', dependendo da evoluçom semántica seguida pola palavra.


B.100.- Santo André de TROVE / TROBE (freguesia com 46 hab.- Vedra, Crunha)
Pode proceder dum étimo similar ao do anterior topónimo, como sugere a sua forma máis antiga Talobre, mais nom desboto umha relaçom directa co antigo hidrónimo Talegio, hoje Teo:
'de Talobre modium I; de Talegio quartas VI; de Vaamundi modium I.; de sco. Andrea quartas III; de sco. Juliano modium I; de sco. Felice mod. I; de Lestedo mod. I; de Sergudi mod. I; de Lamas quartas III; de Vigo mod. I; de Laureda mod. I; de Geadanes quartas II; de Previdinos mod. I; de Foganes mod. I; de Aural mod. I; de Minuci q.tas III' (CODOLGA: Santiago 914)
'monasterio Sancti Andree uocitato Talobre cum omni suo debito et creatione et suis omnibus adiunctionibus ubique; Pausata cum suos hominibus et apendiciis, que est sita in Ripa Ulie; hereditatem omnem de Froila Didaci, tan solia quam domos, inter Uliam et Tamar consistentem' (CODOLGA: TA 1107)
'regalengo et infantatico quod habeo inter Uliam et Tamar pernominato de Talobre' (CODOLGA: TA 1112)
'et dent de ipsa ecclesia Sancto Justo modios III de pane annuatim per taleyga de Tohoure' (Tojos Outos 1207)
'Amarante cum uacauerint et Argallo uacans pro prestimoniis asignantur. nomina autem prestimoniorum sunt hec. Aocio. Rex. sca. Eulalia uetus. Carcacia. Taoubre. Valga. scs. Petrus de Sarandon. Lestedo. Ariis. Briales.' (CODOLGA: Santiago 1228)
'Jtem en Caançoure media de hũa seruiçaya et en Begoa meadade doutra (…) Ora [t]ẽeno os Boquetes et téuoo Martín Ssánchez de Griloure (…) de Gatẽte que he na frijges´ja de Santo André de Tooure et tódoslos outros herdamentos, cassas et chãtados que forõ' (TMILG: Santiago 1390)
A evoluçom do topónimo é Talobre > Taovre (perda do /l/ intervocálico) > Toovre (assimilaçom das vocais em hiato) > Trove (metátese da vibrante).


B.101.- +TALABRIGA (extinta)
Castro dos límicos. Conhece-se pola seguinte inscriçom:
ANCEITUS VACCEI F(ILIUS) LIMI/CUS |(C) TALABRIGA AN(NORUM) / XXX H(IC) S(ITUS) E(ST) S(IT) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS) [F]LAVUS AQUILUS FRATER / SUUS ET TALAVIUS CLOUTIUS / CLOUTAI F(ILIUS) ET URTIENUS / TURDAE F(ILIUS) ET FRATRES EIUS / [F]ACIENDUM CURAVERU[NT] / OB M(ERITA) EIUS (Huelva: AquaeFlaviae 00326 = CILA-01, 00024)
É tamém mencionada por Appiano (Ταλάβριγα, Hispania 75), como cidade galaica revoltosa; ali, e (traduço da versom em Inglês)
após Bruto ir contra ela, os habitantes pedírom perdom e oferecérom-se a se render incondicionalmente. Primeiro el demandou deles que lhe entregaram todos os desertores e prisioneiros, todas as armas, e reféns a maiores, ordenando-lhes depois que evacuaram a cidade, junto coas suas mulheres e os seus filhos. Assi que tinham obedecido estas ordes, rodeou-nos co seu exercito e deu-lhes um discurso, dizendo-lhes com que frequência se revolveram e renovaram a guerra com el. Tendo-lhes metido um grande medo, coa crença que ia a lhes infringir um terrível castigo, acabou coa sua repreensom. Logo de lhes quitar tamém os seus cavalos, reservas, erário público, e outros recursos gerais, entregou-lhes de novo a cidade para que a habitaram, contrariamente as expectativas.”
A seguinte, achado à beira do Límia, pode ser umha referência ao mesmo topónimo.
CAMALA AR/QUI F(ILIAE) TAL/ABRIGEN/SIS GENIO T/IAURAUCEAI/CO(?) V(OTUM) S(OLVIT) L(IBENS) M(ERITO) (Estorãos, Ponte de Lima, VC; D 09297 = AE 1952, 00065 )
Existiu tamém umha Talabriga na Lusitánia, perto do actual Aveiro (Falileyev s.v.). Como é comum na toponímia do convento bracarense, o segundo elemento é a variante *brigā, a comum na Hispánia, Gállia e Británia, fronte ao máis comum na Galécia Lucense *brigs.


B.102.- Sam Martinho de TIOVRE / TIOBRE (610 hab.- Betanços, Crunha)
Prósper, que desconhece toda documentaçom medieval, propom um étimo *Teno-bris ou *Tilo-bris (Prósper 2002: 379), idêntico tal vez ao Tenobrica da Ravennate. Mais a documentaçom medieval referente a este lugar amossa que esta proposta é incorrecta:
'in comisso de Plutios. scm. Xpoforum ad Eume. latum portum. scm. Martinum in Tiobre' (CODOLGA: Santiago 830)
'in Brucios, Oriales, Bonia, Lambre, Barueita, uilla Usaz, Toyobre' (CODOLGA: Sobrado 1037)
'abbas Petrus de Luvre, cf. abbas Didacus de Torovre, cf. Veremudus Ranemiriz, clericus' (CODOLGA: Caaveiro 1154)
'et in ripa agro de Mexeneda que tenet Ruderico Brauo que habemus per exquisa de abbate Didaco de Toebre et de Petro de Deus et Petro monaco de Brauio et de Pelagio Martini de Oyx, medietate de Cinis et medietate de Genrrozo' (CODOLGA: Sobrado sd)
'medietatem burgi de Faro, cum pedagio navium et iuri fisci; villas de Ceia, in Nemancis, et de Oca in Bragantinis, de Leilolio, in Senia, de Abegondo, de Piavela, Degio, Luvre et de Ruis, in Nendis, de Toiobre in Pruciis' (CODOLGA: TB 1178)
'medietatem Burgi de Faro, cum pedagio navium et iuri fisci; vilas de Ceeya in Nemancos, et de Oca in Bregantinos, de Leiloio in Seaia, de Avegondo, Piavela, Deio, Luvre et de Rivis in Endis, de Toovre in Pruciis cum cautis, ecclesiis et pertinenciis suis' (CODOLGA: TB 1199)
'et si vero male sitis maledicti. data apud ecclesiam Sancti Martini de Toovre' (CODOLGA: Caaveiro 1240)
'de Betanços item das çinquo nonas de san Martino de Teoure' (TMILG: Mondonhedo, 1373)
'Gonçalo Vasques clerigo que se dees da cura de San Martino de Tiovre' (TMILG: Santiago, 1435)
A evoluçom do topónimo penso que parte dum hipotético *Togyo-brig-s 'Castro Defendido' / 'Monte das Casas', vel sim, topónimo baseado no tema *(s)teg- 'cobrir' (Oxford: 226) de onde, por exemplo, galês ti 'casa', to 'teito', toi 'cobrir' (cf. Matasovic s.v. *tegos-; Delamarre s.v. attegia), e na minha opiniom tamém a nossa toponímia em tei- (vários topónimos galegos medievais sugerem a existência dumha voz autóctone, de orige pré-latina, *tei 'casa': Teibilide < *Tei Billiti, Teivente < *Tei Valenti, Tadoufe < Teiadaulfi, Teimende < *Tei Menendi...). De *Togiobrigs, achamos na alta idade media Toyobre (perda de g) > Toovre (com perda de iode) > Teovre > Tiovre (por dissimilaçom).


B.103.- TENOBRICA (extinta)
Cidade citada polo Ravennate, pola beira-mar do oceano. Nom é fácil saber se este topónimo estava pola Marinha luguesa, ou máis alô. De *teno- 'lar, fogo' (cf. Delamarre s.v. tessi)


B.104.- TRAGOVE (631 hab.- Corvilhom, Cambados, Ponte Vedra)
Um dos meus favoritos. De *Trāgobri, com dissimilaçom de vibrantes. O primeiro elemento é o proto-céltico *trāgi- 'praia, areal, maré baixa' (galês treio 'refluir do mar', cf. Matasovic s.v.). 'Castro do Areal' é um magnifico nome para um castro assentado numha península na beira da ria de Arousa. Ver tamém Prósper (2002: 373).


B.105.- TRUEVE / TRUEBE (137 hab.- Malhom, Santa Comba, Crunha)
Tal vez de *Turibris, como a(s) cidade(s) lusitana(s) de nome Turibriga ou Turobriga, 'Cidade Forte'. A evoluçom, de ser esse o caso, seria: *Turibri > *Turebre > (?!) *Truebre > Truebe. Do PIE *teurH- 'manter, encerrar' (Falileyev s.v. tur-): 'Monte da Cerca'.
Conhecemos tamém a inscriçom dum Aemiliano Flaco, com origo no castelo de TUREOBRIGA, Torebria no Parochialem.


B.106.- +VEIGEBRE (extinta)
Conhecemos este lugar por umha dedicatória à divindade Bandu desse lugar:
V(OTUM) S(OLVIT) L(IBENS) M(ERITO) / BANDU(A)E / VEIGEBR/EAEGO / M(ARCUS) SILONI/US GAL(ERIA) SI/LANUS / SIG(NIFER) COH(ORTIS) I / GALL(ICAE) C(IVIUM) R(OMANORUM) (Rairiz de Veiga / Aquae Flaviae, IRG-04, 00085 = AquaeFlaviae 00122 = HEp-11, 00344 = AE 1968, 00237 )
Prósper (2002: 259) considera que estamos ante um derivado do IE *wegh-yo- 'mover, carregar, conduzir'. Mais, dado o facto de representar às vezes um e longo /E:/, pergunto-me si nom poderia melhor remeter-se este topónimo a *wēko- 'loita' (cf. Ward s.v.)


B.107.- +VENDABRE (extinto, por Betanços, Crunha)
'in Nemitos, Generozo, Uiuenti, Caliobre, Uendabre, Pontelia, Teoderici, Heletes cognomento Limenioni, Crendes, uillare Porcimilio' (CODOLGA: Sobrado 887)
Pace Prósper (2002: 379), penso que de *Windo-brig-s 'Castro Branco', de *windo- 'branco' (cf. Matasovic s.v.; cf. topónimos galos Vindomagus, Vindobona, Delamarre s.v. uindos). Os montes Vindios citados por Ptolomeo alçavam-se da Galécia e até a Cantábria. Outros topónimos galegos modernos semelham ter relaçom etimológica:
Bendimom < *Vend-yo-mon- 'Monte Branco' (?)
Bendia / Vêndia < 'in ualle Ortigaria, Quintanella, Triauada, Egecani, Uendena' (Sobrado 1037) < *Vedena '(A que é) Branca'
E pode que Bendanha, Bendolho...


B.108.- VERUBRI* (
Em Laça temos umha incriçom votiva dedicada à divindade BANDU VERUBRICO, é dizer, de Verubri*:
BANDU(AE) V/ERUBRICO / MONT() MO[N]/TANUS CO/NSACRA(VIT) / EX VOTO (Arcucelos, IRG-04, 00084 = AquaeFlaviae 00118 = HEp-11, 00340)
Etimologicamente, é um composto co primeiro elemento *veru- 'largo, longo' (Curchin: 129;cf. Delamarre s.v.), logo 'Castro Longo', como Vila Longa.


B.109.- Santiago de BOEVRE / BOEBRE (freguesia com 419 hab.- Pontedeume, Crunha)
Dado que a máis antigo testemunho deste topónimo é Volebre, com /v/, provavelmente estamos perante um topónimo derivado de *wolo- 'vontade, elecçom; governar sobre' (IEW: 1137-1138; Falileyev s.v. Vologatae), ou de *wolo- 'redondo' (IEW: 1140-1144), via *Wol-yo-brig-s (cf. tamém Moralejo 2010: 475).
'in scriptura de auio nostro, Uictemirus prepositus fundauerit ipse monasterio de Uolebre cum omnes suas aiacencias, villas prenominatas. id est Uermaneo' (CODOLGA: Lourençá, 922)
'in terra de Prucios, monasterio sancti Iacobi de Bulebre cum aiunctionibus suis' (CODOLGA: Lourençá 1064)
'qui est territorio Prucius, concurrente ad ecclesiam Sancti Iacobi de Boevre' (CODOLGA: Caaveiro 1103)
'ecclesiam Sancte Marie de Doronia et ecclesiam Sancte Marie de Centronia, et ecclesiam Sancti Iacobi de Boevre' (CODOLGA: Caaveiro 1147)


B.110.- XENXIBRE (5 hab.- Duarria, Castro de Rei, Lugo)
Um topónimo intrigante. Nom sei ser terá quaisquer relaçom cos vários Ginço que na Galiza hai, cuja etimologia ou sentido desconheço, para além da evoluçom Ginzo < Genesio. Entom, hipoteticamente: *Genesiobri > *Genesibri > *Gensibre > *Genxivre (cf. Anxeriz < Anserici).


B.111.- Santa Maria do XOBRE (freguesia com 1441 hab.- Pobra do Caraminhal, Crunha)
Nom conheço nada da história evolutiva deste topónimo, o que dificulta imensamente o seu estudo etimológico. Atrai-me a seguinte possibilidade: O Xobre < *Osobri < *Uxsobris, cum primeiro elemento o céltico *uxs- 'alto' (cf. Matasovic s.v. *owxs-), mais dada a sua situaçom abeirada ao mar de Arousa, estranha esse hipotético “Castro Alto”. Prósper (2002: 379) indica como possível um étimo *Salo-bris “con primer término hidronímico”.


B.112.- +IELVIBRI (extinto)
VECIVS CL/VTAMI F COI/[- - -] ) IELVIBRI / VEROBLIV/S VECI F MILI/ CORTI TERT/IA LVCES MIL/ITAVIT ANNIS // MAETARIV (Lugo: CIL II 2584 = IRLu 25 = IRG II, 82)
Possível castro dos cóporos (Vecius Clutami militava na Cohorte III de Lucenses) melhor que dos Coelernos. Relacionado com *yalo- 'claro (do bosque)'?

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