15 de xullo de 2013

Ousesende, Ousecende

Estes dous topónimos correspondem com dous núcleos de povoaçom: Ousesende é umha aldea na freguesia de Santo Ourente de Entins, Outes, e Ousecende em Cerdeira, Sam Joám de Rio:
  • Ousesende (entidade de pov., Santo Ourente de Entíns, Outes, A Coruña)
  • Ousecende (entidade de pov., Cerdeira, San Xoán de Río, Ourense)
Piel e Kremer oferecem, com dúvidas, no seu Hispano-gotisches Namenbuch (§ 205.10) umha etimologia que nom convence, um hipotético *Ose-sindus, que nom poderia originar o ditongo /ow/ destes topónimos.

Coido que estes nomes tenhem um melhor étimo num antropónimo que eles desconheciam, Aucesindus, documentado na Galiza num documento de 932 (GFA doc. 33) preservado numha copia do século XIII. Esse nome está composto cum prototema *auc- procedente do protogermánico *hauhaz 'alto', e um deuterotema *senþaz 'viage/companheiro' ou *swenþaz 'forte'. A nível europeu, o nome em si nom o documenta Föstemann, senom na sua versom feminina: Hohsinda, Hohswind (Föstemann 1900: 802). Porem, o primeiro elemento temo-lo tamém em nomes documentados na Catalunha (RAC): Aucericus, Aucebertus.

A evoluçom proposta seria simples, partindo do genitivo *Aucesindi/Aucesuindi > *Aucesende > *Oucesende, donde Ousesende (Outes) grafado com s pola neutralizaçom da oposiçom s/z própria do ocidente do país, e *Oucesende > Ousecende (San Xoán de Río) por simples metátese.

10 de xuño de 2013

Trasancos 'Os fortes' (?)

Hipótese 1ª: Trasancos, nome da comarca onde se atopa Ferrol, topónimo já conhecido polo menos desde o Paroquial Suevo, é pré-latino e representa um antigo nome étnico.

Hipótese 2ª: Trasancos é o resultado dum derivado proto-Celtico *trexso- 'forte' ou *trexsu- 'vitória' (Addenda ao dicionário proto-Celtico de Matasovic, s.v.), formado por médio do sufixo tamém céltico -ank-: *trexsankoi 'os fortes (os vitoriosos)', que na língua céltica falada na (ou em parte da) Galiza, deveria já ter dado *tresankoi: sabemos que -xs- deu -s- no caso do castello AVILIOBRIS < *Awelyobrixs 'Castro Ventoso' ou 'Castro de Avelio'. A atual forma, Trasancos, amossa provavelmente assimilaçom vocálica, moi antiga, à vogal tónica. Contodo e notavelmente, temos uns poucos testemunhos onde o e mantém o seu timbre, como por exemplo:

"pactum et conuenientiam de confraternitate cum clericis et laicis de Tresanquis ut semper simus confratres et amici in Xpo" (CODOLGA: c. 1190)
 Sobre o sufixo -ank-, temo-lo por exemplo no galés crafanc 'pouta', do PCelt. KRABANKĀ, derivado de KRABOS 'idem', ou no bretom yaouank 'jovem' (igual ao latino IUVENCUS > galego juvenco).

Em fim: proto-celtico *trexsankoi 'os fortes / os vitoriosos' > hispano-celta ocidental *tresankoi 'idem' > galego Trasancos (Tresancos).

20 de marzo de 2013

Galdo

Galdo (Santa Maria de Galdo) é umha freguesia do concelho de Viveiro, com afamado pam, situada além do fundo da ria, no val do Landro. A mençom documental mais antiga que lhe conheço é do ano 1124, dum pergaminho da catedral de Mondonhedo. Era entom o seu nome Sancta Maria de Gualdo (1124, CDMond d. 11), mesma forma que temos séculos depois, em 1410, num documento editado por Clarinda de Azevedo Maia no seu "História do Galegp-Português":
"frey Lopo de Gualdo" (doc. 41, Viveiro 1410)
A forma Gualdo penso que nos remete a um germanismo *waldo/*waldu, coa adaptaçom usual, /w/ > /gw/, com evoluçom posterior, usual em gram parte da Galiza, /gw/ > /g/ (assi, germánico *wardaz 'guarda' > galego guarda, pronunciado em máis do país 'garda').

O caso é que nom considero que um antropónimo explique satisfatoriamente este topónimo, que si pode ter um bo étimo no proto-germánico *walþuz 'campo, mato, bosque': antigo inglês weald ‘high land covered with wood’, antigo alto alemám wald ‘forest’ (cf. Orel 2003 s.v.). Hipoteticamente, esta forma germánica (sueva?) podia ter-se adaptado ao nosso (proto-)romance como *gualdu 'bosque', donde a evoluçom para a Galdo é direta, ou como *gualtu, e entom já nom (mais note-se o antropónimo Baldomero, composto co primeiro elemento *balþaz 'bravo, valente', que amossa idêntica adaptaçom).

Umha vista de Viveiro (de Wikimedia commons):

Viveiro

12 de marzo de 2013

Metacios

Hai algum tempo, escrevendo sobre as igrejas dependentes da sé de Íria segundo o Paroquial Suevo, subim este mapa:

Quase todos os topónimos indicados no Paroquial como igrejas dependentes de Íria estam bem localizados, quer a partir das fontes clássicas, greco-latinas (Celenos, Posmarcos, Céltigos, Arros, Labacengos); quer graças à documentaçom alto-medieval (Pruços, Besaucos) ou à simples permanência dos topónimos até hoje em dia (Morraço, Salnês, Céltigos, Bergantinhos). E se assumimos como localizado Mercienses/Mercia -território provavelmente centrado na atual freguesia de Merça em Vila de Cruzes, no curso médio do Ulha- entom ficam só por situar Prutenos (ou Prutencos) e Metacios. Agora bem, Prutenos, citado entre Bergantinhos e Pruços deve corresponder-se coas terras despois chamadas Nendos (Nemitos) e Faro, as Marinhas da Corunha e Betanços. Mais, e Metacios?

Até o de agora, Metacios era -quando menos para mim- um hapax, um nome único... Mais venho de atopar umha segunda mençom, num regesto dum documento hoje perdido. Este documento estivo no arquivo do mosteiro de Sam Martinho Pinário, arquivo que foi saqueado no século XIX, ainda que moitos dos seus pergaminhos chegárom a coleçons particulares, algumhas delas hoje cedidas a arquivos públicos. Porém, temos a fortuna de preservar umha série de regestos elaborados polos monges nos séculos XVI a XVIII. O que interessa aqui está no chamado arquivo abreviado, corresponde a umha venda de propriedades datada no ano 873, e seguindo a ediçom de Sáez (2003: 59), di:
"Venta que hizo un clérigo llamado Ermias a uno llamado Cresconio (dize a las espaldas perteneçe a Carboero; mírese si lleva, que aqui no se haze mención) de las heredades que tenía en las villas de Negreiros, en el valle del Metaçio entre el río Deza, y en las villas de Malove y de Pinario, y en la villa de Fornelos y villa de Pereira y villa de Ensi, y en villa de Comparada etc. que es la porción que a él cada una dellas le perteneçía, con lo a ello perteneciente. Su fecha, era de 911"
Assi pois Negreiros, junto a Silheda e sobre o Deça, estava no seu dia (século IX) no val do Metacio, que consequentemente bem pudera ser o nome antigo das terras do Deça. Sobre da etimologia deste topónimo, e como mera possibilidade, poderíamos pensar num derivado adjetival *met-âk-yo- do céltico *met-o- 'cortar, segar'.
 
Por último, e pode que seja isto o mais relevante, este dado vem a reforçar novamente o valor intrínseco do Paroquial como testemunha da realidade do nosso país no século VI, na transiçom entre o mundo romano / indígena, e a idade média.

2 de marzo de 2013

Umha antiga carvalheira pagá?

Santiago co Pico Sagro ao fundo (de Wikimedia commons)
Eis um fragmento dum documento do ano 914, um original hoje nos fundos do Archivo Historico Nacional de Madrid e no que se recolhem umha série de doaçons ao antigo mosteiro de Sam Sebastiám do Pico Sagro. É um documento interessante por moitos motivos, mais o que me sacudiu foi o seguinte (da ediçom de Carlos Sáez, p. 92 do volume terceiro da sua coleom Galicia, ISBN 84-8138-597-2):
"damus adque concedimus ibidem in prefato loco domos et edificiis cunctis cum intrinsecis suis, quicquid  ad utilitate monasterii pertinet, sibe etiam in suburbio montis de villa Argillario de arca qui est inter villa Sisecuti et Argillario per strata que discurrit super domum Gutini et Gattoni usque in arca de Iuli Baruito, et sic per ipsa strata in fontanello et usque in rouoritello ubi congregatio sacerdotum est in diebus letaniarum, et sic per strata ubi terminis sedent de Suberito usque in monte, et inde usuque in terminos de Sauzanes per ubi divident cum Argillario"
Na minha traduçom:
"damos e concedemos assemade no devandito lugar casas e edifícios coas suas pertenças, qualquer cousa que seja da utilidade do mosteiro, assi nos arredores do monte desde Ardilheiro, da arca que está entre Sergude e Ardilheiro, pola estrada que vai sobre as moradas de Gudinho e de Gatom, até a arca de *Iuli Barvito, e por essa estrada até umha fonte e até a carvalheira onde se congregam os sacerdotes nos dias das ladainhas, e pola estrada até os termos de Sobredo e até o monte, e até os termos de *Sauzanes por onde dividem com Ardilheiro"
Na leitura deste fragmento subitamente vim umha procissom de cregos seguindo os passos de antigos pagáns (druidas?) reunidos numha cavalheira ao sopé deste lugar sacro... Ainda que a cousa nom é tam simples: no contexto do catolicismo, os dias das litanias as procissons celebravam-se amiúde em lugares que foram santos para os pagans, assi ocupando e deslocando os seus cultos. Consequentemente penso que provavelmente o que se nos oferece neste fragmento é umha mostra máis da ocupaçom espacial, temporal e simbólica da antiga religiosidade pagá, neste caso dum espaço, umha carvalheira (os lugares de Carvalheira da Granja ou de Reboredo, na aba leste do monte) perto do Pico Sagro, monte cujo cúmio já fora ocupado à sua vez polo proprio mosteiro de Sam Sebastiam.
 

23 de febreiro de 2013

Maternidade e paternidade




O passado dia 15 de Dezembro nasceu a nossa filha Aldara, no hospital de Ribeira, quase na sua semana 42, e apôs de estarmos a nai e mais o que isto escreve três dias de pré-parto, saudando as lavandeiras que passavam as noite numha das árvores do pátio do centro. À meninha nom lhe petava sair. Normal. Só por falarmos do clima: chovia a Deus bendito, ia umha viruge do carai, fazia frio... O ano passado foi, pra mim e pra Maria, a nai, excelente, e aguardo que este ainda seja melhor.

(Aldara di agora mesmo: "guhhhhhhh...!!!", reclamando atençons e mimos).